Financiamento de imóveis: Perdi o emprego, e agora?

Financiei um imóvel e perdi o emprego. E agora?

Realizar o sonho de comprar a casa própria não é uma tarefa fácil. Por muitas vezes, a melhor opção para alcançar esse objetivo é financiar um imóvel. Com taxas atrativas e condições de pagamento que se encaixam no bolso do cliente, dar um passo para aquisição do bem não é algo tão distante da realidade dos brasileiros.

Escolher um imóvel que se adéque financeiramente no seu orçamento é a grande tarefa na hora de fechar o negócio. Mas, é preciso estar atento ao cenário econômico em que vivemos. As adversidades políticas e os tempos de crise podem tonar o sonho da casa própria um verdadeiro pesadelo.

O desemprego é uma das principais causas para a inadimplência dos clientes que financiam imóveis. Segundo o IBGE, são mais de 13 milhões no Brasil atualmente e, com isso, são também mais de 61,8 milhões de pessoas inadimplentes, gerando déficits nos mais variados setores da economia.

Mas o que fazer nesse caso? Diante dessa realidade, muitas pessoas se perguntam quais são as possibilidades e como proceder para não perder o imóvel em caso de desemprego.

Se você está procurando as respostas para entender como resolver esse problema, confira esse post! Separamos algumas dicas e soluções que podem te ajudar muito nessa hora. Confira!

Conheças as modalidades para financiar um imóvel

Esse é o primeiro passo para quem pretende financiar o valor necessário para comprar um imóvel.

Conhecendo os tipos de financiamento e as condições de pagamento de cada modalidade, é possível entender quais serão as melhores decisões em momentos como a diminuição de renda e em caso de desemprego. Separamos as 6 modalidades praticadas no Brasil, entenda melhor como elas funcionam!

Sistema Price

Essa é a modalidade mais praticada no Brasil, porém vem perdendo força nos últimos anos. De modo geral, o Sistema Price mantém o valor das prestações mensais fixo, com juros decrescentes e a amortização é crescente.

Mas na prática, esse sistema não é tão bom quanto parece! A Tabela Price, que é o cálculo do seu financiamento é ajustado de acordo com a inflação. E diante das crises econômicas, as prestações sofrem constantes variações.

O reajuste é indexado após o fechamento de contrato de financiamento por meio da Taxa Referencial (TR), com isso os valores da prestação e saldo devedor são ajustados anualmente.

SAC

O Sistema de Amortização Constante (SAC) funciona da forma inversa, a variação de juros ocorre por período e, com isso, as prestações decrescem ao longo do período de financiamento.

Na prática essa é a melhor opção, uma vez que o devedor paga prestações mais altas no começo do contrato e amortiza a dívida mais rápido, pagando menos juros no final do contrato.

Sacre

O Sistema de Amortização Crescente (Sacre) é uma mistura dos dois sistemas anteriores (Price e Sac). As prestações são crescentes durante um intervalo determinado de tempo e a partir de então passam a diminuir.

Porém, assim como o Price, os valores são reajustados pela TR e os contratos preveem a correção monetária do período.

Sistema Financeiro de Habitação (SFH)

Esse sistema de financiamento é fomentado pelo Governo Federal por meio de recursos do FGTS e do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE). Por esse motivo, a maior parte dos contratos de compra de imóveis são regidos por esse sistema.

Na prática, os imóveis não podem ultrapassar R$ 750 mil, onde os compradores terão subsídio máximo de R$ 585 mil em um prazo de 420 meses (35 anos) para pagamento da dívida. É importante lembrar que, independentemente do tipo de financiamento, o cliente não pode comprometer mais de 30% da sua renda mensal com as prestações habitacionais.

Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI)

Para as classes mais altas, o Governo Federal desenvolveu esse sistema de financiamento para imóveis acima de R$ 750 mil. Porém, os juros são mais altos e algumas variáveis tornam essa negociação mais cautelosa.

Não existe imposição de limite de valores para os imóveis e nem de comprometimento da renda do comprador. A concessão de valore chega a 90% e o prazo de pagamento de até 420 meses.

Minha Casa Minha Vida

Para famílias de baixa renda e, recentemente expandido para a classe média, o Minha Casa Minha Vida é um programa habitacional desenvolvido pelo Governo Federal para subsidiar a compra da casa própria.

Para famílias com renda de até R$ 1.600, as taxas de juros são reduzidas e a concessão de financiamento chega a 95% do valor do imóvel. Nessa modalidade, o prazo para quitação do financiamento é de 10 anos.

Para famílias com renda de até R$ 5.000, as taxas de juros são reduzidas e o governo não subsidia a compra do imóvel. Com isso, o prazo de pagamento é de até 30 anos.

Use o seu FGTS

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é um benefício do governo, criado para a proteção do trabalhador em caso de demissão sem a justa causa. Uma conta em nome do trabalhador é aberta junto ao banco e, no início de cada mês, o empregador deve fazer um depósito no valor de 8% do salário do funcionário.

Esse benefício só pode ser resgatado pelo trabalhador quando ele deixa a empresa, mas ao longo desse período o funcionário tem a opção de usar o saldo do FGTS para dar de entrada no financiamento de imóveis.

Em caso de desemprego ou a perda parcial da renda, o trabalhador pode utilizar o saldo do FGTS para quitar as prestações habitacionais. Essa é uma maneira de manter as parcelas em dia, sem precisar mexer no dinheiro reserva.

Acione o Fundo Garantidor de Habitação Popular

Caso você tenha adquirido o imóvel dentro do programa Minha Casa Minha Vida, mediante as cláusulas do seu contrato, você pode ainda contar com uma garantia adicional para quitação das prestações habitacionais.

Em caso de desemprego ou redução da capacidade de pagamento, em no mínimo 30%, é possível recorrer ao Fundo Garantidor de Habitação Popular (FGHab), que garante o pagamento das prestações do cliente pelo prazo de três meses, porém esse período de tempo pode ser prorrogado por até três anos.

Ao financiar um imóvel pelo programa federal, os mutuários contam com uma espécie de seguro obrigatório, cujo seu valor é embutido no valor do imóvel e pago junto com as parcelas. Portanto, o valor coberto pelo FGHab é acrescido nas parcelas que ainda estão por vencer do seu financiamento. O objetivo desse seguro é quitar as prestações em dia e postergar a dívida, para evitar o risco de perda do imóvel.

Há alguns requisitos obrigatórios para a liberação desse fundo, entre elas estão: o pagamento precisa estar em dia na data da solicitação do recurso e, pelo menos, seis prestações devem ter sido quitadas na fase inicial do seu financiamento.

Solicite a revisão no valor do financiamento

É sempre importante ficar atento as cláusulas contratuais antes mesmo de assinar. Existem formas de se resguardar em caso de tempos ruins, que são os seguros extras para garantia do financiamento.

Essa medida faz com que, no momento de desemprego, o cliente possa acionar o seguro e ter algumas das suas prestações quitadas, não comprometendo o contrato até que o proprietário tenha novamente sua fonte de renda.

Porém, se não houve nenhuma contratação de seguro antecipada ou para os clientes que não se enquadram nos requisitos exigidos para financiamento imóvel com o auxílio das linhas específicas de baixa renda do Governo Federal (como por exemplo o FGHab), uma alternativa é solicitar a revisão do valor das parcelas.

Tal procedimento pode ser solicitado diretamente na instituição financeira ou, se não houver êxito, na esfera judicial. É possível reduzir o valor das prestações ou até mesmo dilatar o prazo do financiamento caso a decisão da justiça seja favorável.

São grandes as chances de obter uma resposta positiva, já que há um entendimento jurídico de que não se pode comprometer mais de trinta por cento da renda familiar mensal com o valor das prestações habitacionais.

Tenha uma reserva de emergência

É preciso levar em conta que o financiamento habitacional é uma dívida a longo prazo e que imprevistos, como o desemprego, podem culminar até mesmo na perda do imóvel.

Assim, antes de chegar a essa situação, é recomendável incluir no orçamento familiar a construção de uma reserva de emergência para manter os pagamentos em dia. Vale a pena pensar em conseguir uma renda extra para tal finalidade.

Confira 7 soluções possíveis para o seu financiamento

Se você perdeu o emprego e não quer deixar de pagar as prestações do seu financiamento habitacional, confira algumas soluções que podem te ajudar na hora do aperto.

1. Reavalie o valor do imóvel

Esse é o primeiro passo para tentar baixar o valor mensal das prestações, possivelmente conseguindo alguma redução nas parcelas do seu imóvel.

2. Use o FGTS

Antes de mexer na sua reserva de dinheiro, disponha do saldo do seu FGTS para a quitação do maior número de parcelas possível do seu financiamento.

3. Acione o seguro

Se você contratou esse serviço, acione o seguro para cobrir as prestações. Se você tem um imóvel financiado pela Caixa, possivelmente conseguirá a quitação de até 6 parcelas.

4. Use os bens duráveis

Antes de se desfazer do imóvel, tente vender o carro ou até mesmo outros bens duráveis que possam fazer com que você mantenha uma reserva de dinheiro enquanto busca uma recolocação.

5. Alugue o imóvel

O aluguel do imóvel alivia o pagamento das prestações. Essa é uma saída para não deixar de pagar as parcelas.

6. Faça transferência de financiamento

Não perca todo dinheiro investido, negocie junto ao banco a transferência do seu financiamento para outra pessoa, assim você conseguirá o valor que você pagou pelo seu imóvel e pode fazer uma nova compra, mais adequada às suas condições de pagamento.

7. Renegocie o seu imóvel

Se a situação de desemprego se prolongar e seu dinheiro estiver no final, não deixe de pagar as prestações, renegocie seu imóvel e faça a troca por outro de menor valor.

No momento que você financia o seu imóvel, não é possível prever quais serão as dificuldades pelas quais vai passar durante o período de contratação do crédito. Porém, é importante analisar as opções de prevenção e optar por condições de pagamento que tragam mais vantagens ao devedor ao longo do período.

Que tal, entendeu melhor como funciona financiar um imóvel? Mesmo nos momentos difíceis, existem saídas para você não perder o dinheiro investido, não é mesmo? E já que está nos visitando e se interessa pelo assunto, que tal ler o texto “Refinanciamento de imóveis: tire suas dúvidas”?

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